sexta-feira, 15 de julho de 2011

«Portugal que futuro?» Uma realidade de incertezas

Que futuro nos é reservado?
Sou uma cidadã portuguesa cheia de incertezas face ao meu futuro. Não obtenho respostas imediatas.
 
Portugal é o meu país de origem. Em tempos teve grandes momentos de glória e inovação. Actualmente? Nada disso lhe resta.
Quando Portugal aderiu à CEE, em 1986, verificou-se uma esperança de modernização do país, mas também uma melhoria do nível de vida para todos nós. Tivemos necessidade de criar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Nem tudo são desvantagens. O relacionamento entre os membros da comunidade tem-se desenvolvido e aprofundado, nomeadamente nas áreas da educação, saúde, ciência e tecnologia, defesa, agricultura, comunicação social, cultura, etc.
Contudo, nos anos 90, a vida dos portugueses acusou inegáveis mudanças. A imagem tradicional de um povo poupado, que acautelava o futuro, cede lugar às classes médias. Para os que fazem fortuna e a querem ampliar, a Bolsa, torna-se um destino irrecusável.
O que mais me revolta como cidadã portuguesa, é ver e ter consciência dos enormes problemas e desigualdades sócias, tanto ao nível social, económico e político, que com esforço e dedicação podiam ter sido evitados. Infelizmente os políticos da sociedade actual preferem passar os seus dias em "guerra aberta" uns contra os outros em vez de apostarem no povo e trabalhar em benefício deste.
Actualmente, o que mancha Portugal é a demagogia, o cinismo, a ligeireza a encarar os problemas graves e a superficialidade.
Quais as consequências?
Infelizmente são cada vez mais: sem abrigos, reformas de miséria tanto para idosos como para pessoas com incapacidades físicas, doentes que desesperam à espera de uma operação, que maior parte das vezes demora meses e anos, elevada precariedade no trabalho, grande demora na nossa justiça, a necessidade que nós jovens temos de emigrar para um país vizinho por necessidade de obtermos mais formação e emprego, os despovoados campos, de cultivo, no interior, uma economia que não é competitiva e cidadã, muitos mais pontos polémicos e actuais que desmotivam os portugueses.
O porquê disto tudo? A nossa organização é débil! A nossa vontade e determinação política é muito débil! A nossa economia e sociedade civil são débeis!
A solução passa por enfrentar todos estes problemas e não por negá-los.
Portugal necessita de ser motivado, com rigor, profissionalismo, estratégia objectiva, com iniciativas de acções mobilizadoras e com transparência na gestão, em todos os campos da nossa sociedade.
Em relação ao futuro de Portugal não tenho grandes noções de do que se irá perspectivar. Não quero ser pessimista, não sou por natureza. Todos nós temos consciência que a nossa situação está bastante preocupante para o nosso futuro. Ainda ontem vi nas notícias que a maior taxa de desemprego incide sobre os jovens. Este facto não pode ser, não deve ser, um factor de desmotivação para nós, pois tenho esperança e vou lutar por ter uma vida e um emprego estável.
É verdade que não pintamos um quadro muito bonito para o futuro, mas se ficarmos pelo pessimismo e pela inércia vamos a algum lado? É obvio que não!
Identifico-me muito pouco com partidos políticos. Nunca me cativaram como forma de contestação. Talvez o único partido político que me cativa mais é o PAN (partido pelos animais), por defender alguns dos meus pensamentos e desejos para o futuro, e também porque me preocupo igualmente com os animais. Não sou uma pessoa ligada a materialismo, não foi me incutido essa a educação, mas sim, uma educação simples onde sempre aprendi a dar valor aos valores espirituais e humanos em cada cidadão. Embora ser esta a minha postura de vida, não sou ingénua e tenho consciência do que se passa a minha volta. Ao longo destes últimos três anos, tenho desenvolvido o meu espírito crítico face a realidade que me envolve, mas também uma maior curiosidade que antes não sentia a ver um simples telejornal. Isto tudo se deve ao trabalho elaborado pelos professores, especialmente o professor João Camacho e a professora Eugénia Casimiro. Não querendo dar "graxa", acho que todos nós temos consciência que evoluímos bastante tanto no nosso percurso escolar como no nosso percurso pessoal, e eu senti muito a diferença.
Vou dar uso ao meu direito ao voto, já dei nas eleições de Janeiro, e faço questão de o fazer sempre que me for possível. Há que continuar a lutar, lutaram por nós no 25 de Abril de 1974, lutaremos também agora por aqueles que já não têm força para lutar e por aqueles que um dia vão sofrer todas estas consequências. É um direito que nós mulheres lutámos durante muito tempo e não faço questão de abdicar dele. É mais uma ferramenta que eu tenho para contestar.
O meu contributo e desejo é tornar Portugal num país mais solidário, igualitário, dinâmico e digno, para que possamos sentir de novo os momentos gloriosos e não cairmos no conformismo.
A luta continua!

 
 












Joana Marcelino

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